Preço dos Imóveis em Dubai Caiu: É Hora de Comprar?
Por Marcelo Correa ·

No começo de setembro saiu o FipeZap de agosto: o preço médio do imóvel residencial no Brasil subiu 5,49% em 12 meses, acima da inflação de 4,14% usada pelo próprio indicador, e as 56 cidades pesquisadas tiveram alta no período. Isso com a Selic ainda em 13,75% depois do corte de setembro. Quase na mesma semana, a consultoria Cavendish Maxwell publicou o número que virou manchete aqui nos Emirados: o preço dos imóveis em Dubai caiu 1,7% em relação a agosto do ano passado. Foi a primeira queda anual desde fevereiro de 2021.
Moro em Dubai há mais de dez anos e trabalho com imóveis na planta. Vou mostrar o que os dados dizem, o que mudou no mercado e como eu olharia uma compra agora.
O que os números de agosto mostram
Segundo a Cavendish Maxwell, o preço médio de venda residencial fechou agosto em AED 1.636 por pé quadrado, 1,7% abaixo de um ano antes e 1,3% abaixo de três meses antes. Ronan Arthur, diretor de avaliação residencial da consultoria, resumiu assim: os dados confirmam que o mercado está entrando num ciclo mais maduro, depois de um período de alta excepcionalmente forte.
Foram cerca de 10.900 imóveis vendidos no mês, somando AED 23,4 bilhões, uns 14% a menos que em julho. Parte da queda vem do verão, quando o mercado aqui desacelera todo ano. Ainda assim, no acumulado de 2026 as vendas já passam de AED 270 bilhões.
Cada consultoria mede preço com uma base diferente. No artigo sobre quanto custa um apartamento em Dubai eu usei outra fonte, com média por pé quadrado mais alta. Por isso eu prestaria atenção na direção do índice, e em agosto ela foi de leve queda.
Pra colocar em escala: o Dubai Land Department registrou AED 523 bilhões em transações de janeiro a agosto, entre vendas, hipotecas e outras categorias, o equivalente a quase 57% do total negociado em todo o ano de 2025. O mercado continua girando muito dinheiro, só que num ritmo menor que o do ano passado.
Por que o mercado imobiliário de Dubai esfriou
A Cavendish aponta menos lançamentos, incerteza na região e uma volta ao normal depois de anos de alta forte como os principais motivos.
Mohamed Alabbar, fundador da Emaar, falou no AIM Congress, em 7 de setembro, que os preços podem se ajustar entre 5% e 10% conforme a nova oferta for entregue até 2027, num cenário que ele chamou de extraordinário por causa da tensão regional. Na mesma fala, disse que o mercado pode voltar a acelerar rápido se as tensões diminuírem, e que a Emaar mantém sua política de preços por ter caixa forte e pouca dívida, ao contrário de incorporadoras que já oferecem descontos de até 50%.
O perfil de compra também mudou. Segundo o jornal The National, a procura está saindo dos imóveis acima de AED 10 milhões e se concentrando na faixa de AED 1 a 2 milhões, com planos de pagamento longos pesando cada vez mais nas vendas, alguns deles respondendo por até 80% das reservas de um único desenvolvedor. A compra na planta segue dominante: cerca de 75% das vendas de agosto foram off-plan.
Quando escrevi sobre existe uma bolha no mercado imobiliário de Dubai, minha leitura era que um ajuste viria em segmentos específicos, não no mercado inteiro. Os dados de agosto vão nessa linha.
Imóveis no Brasil x Dubai: o que o UBS acabou de publicar
Na semana passada saiu o UBS Global Real Estate Bubble Index 2026, que analisa 23 grandes cidades. Dubai ficou em 4º lugar no ranking de risco, com nota 1,16, na faixa de risco elevado, junto com Miami, Seul, Genebra e Lisboa. São Paulo teve a menor nota do estudo, -0,24, pelo terceiro ano seguido, na faixa de risco baixo.
Pro brasileiro, esse contraste merece uma leitura cuidadosa. Segundo o UBS, em São Paulo os preços reais seguem cerca de 25% abaixo do pico de 2014, enquanto os aluguéis subiram perto de 30% em quatro anos, o que deixa a cidade com uma das melhores relações entre preço e aluguel da lista. Dubai subiu com força entre 2022 e 2025, o que explica aparecer mais acima no ranking de risco agora.
O mesmo relatório coloca Dubai entre as cidades mais acessíveis da amostra: com cerca de 5 anos de renda dá pra comprar um apartamento de 60 m² aqui, contra 11 anos em Londres e cerca de 14 a 15 em Hong Kong, dependendo da fonte. Nos números do UBS até o segundo trimestre, os preços reais em Dubai subiram só 0,4% em 12 meses e os aluguéis reais caíram 4%, sinal de um mercado perdendo força. A consultoria CBRE, olhando o mesmo trimestre por outro critério, mediu alta nominal de cerca de 1,9% nos preços residenciais, com apartamentos subindo 1,3% e vilas, 5,7%. São medições diferentes, mas a leitura é parecida: o ritmo caiu bastante frente aos mais de 10% de alta real que o mercado teve em 2025.
Resumindo o momento de cada lado: no Brasil, preço subindo acima da inflação e crédito caro. Em Dubai, preço se acomodando depois de um ciclo forte, com a moeda atrelada ao dólar desde 1997.
Vale a pena investir em Dubai com o preço dos imóveis caindo?
Ninguém sabe o que o preço vai fazer nos próximos meses, e eu desconfiaria de quem diz que sabe. O que eu vejo é que, num mercado mais calmo, o comprador volta a ter espaço pra negociar e pra escolher com tempo. A escolha do projeto passa a pesar mais do que o momento de entrada.
Eu começaria pela faixa de preço. A demanda está concentrada entre AED 1 e 2 milhões, e isso tende a dar mais liquidez na revenda do que imóvel de ticket muito alto. Se o seu objetivo inclui o Golden Visa, o valor mínimo por imóvel continua em AED 2.000.000.
Depois, a incorporadora e a estrutura da compra. Na planta, histórico de entrega, conta escrow e plano de pagamento contam mais do que o folder do lançamento. Expliquei isso em detalhe no guia de imóveis na planta em Dubai (off-plan).
Também olharia a oferta prevista na região. Com muita entrega programada até 2027, bairro com muito prédio novo pode sentir mais pressão em preço e em aluguel.
Por último, o horizonte. O próprio Alabbar aconselhou o investidor estrangeiro a entrar com pouca dívida e capital de reserva. Quem compra pensando em vários anos, sem depender de vender rápido, atravessa um ciclo de ajuste com bem menos stress.
Se quiser olhar projetos com números atualizados e ver o que faz sentido pro seu caso, me chama no WhatsApp.
Perguntas frequentes
O preço dos imóveis em Dubai está caindo?
Em agosto de 2026, o preço médio residencial caiu 1,7% em 12 meses segundo a Cavendish Maxwell, a primeira queda anual desde fevereiro de 2021. Nos últimos três meses a queda foi de 1,3%.
Dubai está em bolha imobiliária?
O UBS classifica Dubai como risco elevado, 4ª entre 23 cidades, com nota 1,16. O mesmo estudo mostra Dubai entre as cidades mais acessíveis da amostra na relação entre renda e preço do imóvel.
É melhor investir em imóvel no Brasil ou em Dubai?
Depende do objetivo. No Brasil os preços sobem acima da inflação, com juros altos. Em Dubai o ativo é em moeda atrelada ao dólar e o mercado está num momento de acomodação depois de um ciclo forte. Pra quem já tem patrimônio no Brasil, Dubai costuma entrar como diversificação de moeda e de mercado, não como substituto.
Fontes
- Cavendish Maxwell, via Khaleej Times — Dubai home prices fall for first time in 5.5 years
- Dubai Land Department — transações jan-ago/2026 (via Edwards & Towers)
- Khaleej Times — Alabbar, AIM Congress: ajuste de 5-10% até 2027
- The National — demanda migrando para a faixa de AED 1-2 milhões
- UBS Global Real Estate Bubble Index 2026 (release oficial)
- The National — UBS: Dubai risco elevado, mas ainda acessível
- Forbes Brasil — São Paulo com o menor risco de bolha do estudo UBS
- InfoMoney — FipeZap agosto/2026
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